No sábado (11/05) recebemos em Cuiabá o já aclamado espetáculo Caetana, da Duas Companhias (PE), no
circuito nacional do Palco Giratório 2013. O espetáculo conta a história de
Benta, uma rezadeira despachadora de almas que tem seu encontro com Caetana, a
morte, e procura adiar sua partida. Quando chega do outro lado da vida, Benta
encontra com as almas que despachou e acaba por concluir que não é tão ruim
assim fazer a tão fatal travessia. A
montagem apresenta forte ligação com o Movimento Armorial, liderado em
Pernambuco por Ariano Suassuna, que consiste na elaboração de uma arte que
mistura o erudito e o popular. O texto trabalhado em ritmo de cordel também faz
referência ao Armorial, bem como a sonoridade de pífano, o figurino
confeccionado com trapos, o contexto mítico dos temas e a manipulação de
bonecos. Além desse registro, Caetana
indica uma busca em universalizar elementos do popular nordestino quando
acrescenta a figura do palhaço neste contexto. O espetáculo inicia com os
arquétipos de Eros e Tanatos, com a luta entre a Vida e a Morte, dando origem
ao ciclo vida-morte-vida regida pelo Sagrado Feminino, e que fez nascer o mundo
como o conhecemos hoje: os vivos de um lado e os mortos de outro. A referência
ao mito é bastante forte e serve de prólogo para a entrada de Caetana, que fixa
a história no contexto nordestino, traduzindo o medo universal e o misturando à
realidade da caatinga e da cultura pernambucana. A utilização do nariz de
palhaço traz uma leveza ao tema e a manipulação de bonecos comunica à criança
que mora dentro de cada um. O cenário trabalhou com panos translúcidos, que
foram pouco utilizados no espetáculo, com peças avulsas de uma história, como
candeeiros de querosene, um banquinho e a garrafa de cachaça de Benta. A
entrada e saída constante de cena, enfraqueceu a narrativa, tornando tudo um
tanto confuso com a manipulação dos bonecos. A excelente atuação de Fabiana
Pirro no papel de Caetana, e Lívia Falcão como Benta, comunica o suficiente o
que torna os bonecos desnecessários. A mistura das linguagens é sempre muito
delicada e nem sempre agrada. Mas essa relação entre o universal e o regional é
uma mistura que dá certo, e o espetáculo encantou a quem teve a oportunidade de
assisti-lo. Não perca a chance de assistir os espetáculos do Palco Giratório e
conhecer um pouco mais do panorama teatral brasileiro!
Juliana Capilé e Tatiana
Horevicht
CIA PESSOAL DE TEATRO